Soares não vai à sessão oficial do 25 de Abril- Segundo a
imprensa, o ex-PR Mário Soares, não vai,
pela primeira vez nestes 38 anos de democracia, às cerimónias oficiais
do 25 de Abril, apesar de já ter confirmado a sua presença na quarta-feira no
Parlamento, em solidariedade para com os militares da Associação 25 de Abril
(A25).
Antes disso
e em conferência de imprensa, com toda a pompa e circunstância, o senhor
militar Vasco Lourenço, presidente da “A25”, anunciou que a associação não vai às comemorações oficiais
da revolução, porque a linha política seguida pelo actual poder político deixou
de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril”. Assim Mário Soares
solidariza-se com a atitude da “A25”.
Estes dois
homens representam, de certo modo, a
sociedade civil e a militar e a quem a nossa democracia deve muito. Se um
representa a parte “romântica”, mas bem instalada na vida embora em quebra de
“benesses”, o outro representa os velhos políticos profissionais (que mais fez
na vida o Dr. Mário Soares?) e que também têm “vivido” do regime democrático e
que, por ideologia ou por outras razões, conduziram o país para o estado em que
se encontra e que justificam os sacrifícios em curso. Violam o regime
democrático herdeiro do 25 de Abril?
Para eles, a
democracia é a “mãe” de tudo, mas deveriam saber que não gera riqueza e sem ela
para distribuir, a democracia perde o seu genuíno valor, mas, sendo um inquestionável
bem das sociedades modernas, não mata a
fome a ninguém. Contudo, os “democratas de barriga cheia”, que muito bem estas
duas personagens representam, fazem dela
a sua bandeira e “amuam” sempre que o pragmatismo se sobrepõe ao romantismo.
O 25 de
Abril de 1974 deve ser relembrado e comemorado (mas também ensinado aos mais
jovens, pelo que não se esqueça a história que lhe está subjacente) pelo bem
que representou, mas também pelo mal que causou, por usurpação de alguns oportunistas e “falsos democratas”, esses sim a violarem os
princípios da “revolução dos cravos”.
A MS e VL,
fica-lhes mal esta atitude, porque o actual governo foi eleito em democracia e
por milhões de portugueses. Ou a democracia é uma propriedade das “esquerdas”?